Varejo recorre ao digital para competir com o e-commerce

Varejo recorre ao digital para competir com o e-commerce

Crise econômica motivou comerciantes a inovar para melhorar seus resultados

O crescimento das vendas pela internet e a mudança de comportamento do consumidor, que está mais exigente e antenado, estão forçando uma verdadeira revolução no comércio de Belo Horizonte. Os lojistas estão buscando alternativas tecnológicas para concorrer com o e-commerce. A rede tem sido utilizada em ações de marketing, mapeamento do perfil de clientes e gerenciamento de estoques. Como resultado, vendas aumentam e empresas cativam fregueses e reduzem custos.

“O varejo demorou para entrar no mundo digital porque é um ambiente mais conservador. Normalmente as lojas são tradicionais e familiares, e os comerciantes não viam necessidade de mudar a rotina em um negócio que estava dando certo. Por isso, criamos o programa Varejo Inteligente para conectar as empresas digitais com os lojistas”, afirma o coordenador do programa da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH), Marcelo Costa.

Para ele, a necessidade de melhorar resultados em função da crise serviu como motivador para que uma parcela dos comerciantes passasse a se preocupar com inovação. “Com a possibilidade de as pessoas realizarem suas compras de casa, as lojas precisaram buscar uma distinção. Só preço não diferencia”, afirma.

Foi o que notaram as irmãs Alessandra Márcia de Andrade Silva, 48, e Rúbia Daniela Noronha de Andrade, 37. Sócias em uma franquia da Cacau Show, elas buscaram o programa Varejo Inteligente para tentar descobrir como levar mais clientes para a loja. E descobriram que a ausência de perfis na internet era uma das barreiras.

Contrataram uma startup especialista em marketing e conseguiram ver resultados nas vendas. “Eles têm nos orientado sobre a melhor forma de fazer postagens, e já percebemos um movimento maior”, afirma Alessandra. As sócias fizeram também parceria com uma blogueira que tem ajudado a aumentar o alcance dos posts delas. “Estamos descobrindo o mundo tecnológico. E percebemos o quanto a tecnologia faz falta a um negócio”, conclui.

Tecnologia muda a forma de pensar o negócio, afirma CDL

Muitos comerciantes estão dando o primeiro passo na internet com o básico: venda de mercadorias e divulgação da loja. Mas, para outros, a rede possibilitou a análise das reais necessidades do cliente e a mudança de processos internos embasados em cruzamento de dados. “Varejo inteligente não é simplesmente usar tecnologia para divulgação da empresa. É um modo de pensar o negócio, buscando soluções para questões que estejam travando o desenvolvimento das lojas”, afirma o coordenador do programa da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH), Marcelo Costa.

Na RB Semijoias, colocar em prática esse pensamento tem feito a diferença. “Entramos em 2018 com queda de 30% no faturamento já no primeiro mês, comparado com janeiro de 2017. A aplicação do varejo inteligente nos ajudou a reduzir um pouco o mau desempenho”, afirma a sócia Bruna de Oliveira Silva, 32.

Ela contratou uma startup que a ajudou a entender melhor o perfil do cliente. Nesse processo, até o layout da loja foi alterado. A mesma empresa tem feito o gerenciamento do marketing da loja. A queda do faturamento, que girava em torno de 30%, passou a ser de 10%. “A tecnologia nos ajudou a vencer a crise. E estamos pagando menos do que pagávamos pelo trabalho de uma agência tradicional de marketing”, conta.

A hora do cliente

Mudança

Para 58% dos clientes e 75% dos compradores de empresas, a tecnologia mudou suas expectativas de como deve ser o atendimento, segundo pesquisa realizada pela consultoria Salesforce.

Compras na internet

Segundo pesquisa da Federação do Comércio de Minas Gerais (Fecomércio Minas), 58,4% dos consumidores de Belo Horizonte com acesso à internet já concluíram alguma compra online. Só nos últimos seis meses, 40,3% realizaram pelo menos uma compra. Em um ano, o percentual de lojas que trabalham com e-commerce saiu de 22,1% para 28,8%.

Motivação

A principal motivação para usar a internet citada pelos consumidores foi a pratici- dade de comprar estando em casa. Já do lado oposto, a principal motivação para não comprar em meio virtual é o medo de fraudes e golpes, diz a Fecomércio Minas.

Programa

Varejo Inteligente. O programa de aceleração de startups que tenham soluções tecnológicas para o setor varejista foi desenvolvido pela CDL-BH em parceria com o Sebrae-MG.

Exemplo

“Nossa expectativa é criar lojistas replicadores de conhecimento. Na medida em que a inovação começa a ficar frequente em uma parte do varejo, outros tendem a seguir.”

Marcelo Costa

Coordenador do programa Varejo Inteligente

Data da publicação: 31/12/18 – 03h00

Tatiana Lagôa

Fonte: https://www.otempo.com.br/capa/economia/varejo-recorre-ao-digital-para-competir-com-o-e-commerce-1.2085958

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